quinta-feira, 26 de maio de 2011

Para Refletir!

Confesso que tenho andado chateado com a maneira que muitos militantes do movimento negro têm conduzido os afrodescendentes. Hoje escutei o "Kind of Blue" de Miles Davis (no dia em que o mesmo completaria 85 anos) para desfrutar do bom som desse talentoso artista que encantou o mundo com sua música, tendo em mente toda a contribuição de Davis para que o negro fosse visto, reconhecido, respeitado, valorizado e também amado não por leis e políticas de inclusão, e sim por seu mérito, mostrando que o talento transcende uma classificação étnica. Sendo assim, acessei alguns sites de grande relevância que tem por objetivo colocar o negro em evidência, mostrando a sua importância como peça fundamental nesse grande maquinário social (elucidando suas potencialidades e os convidando para serem sujeitos e não apenas predicados da história visando o progresso social) e tive o desprazer de não ler uma nota sequer a respeito da vida, obra e contribuição de Miles Davis.

Durante a semana o mundo (e não apenas os afrodescendentes) perdeu um grande intelectual (Abdias Nascimento) que deixou um legado digno de ser respeitado, independentemente de concordarmos ou não com seu direcionamento político em prol da luta pela melhor inserção dos mesmos em um mundo multicultural. Portanto, acredito que devemos batalhar pela desconstrução da idéia da vitimização eterna e começar a colocar em destaque aqueles que contribuíram e ainda contribuem com a valorização de todas as etnias (eu disse todas) em um modelo sócio-econômico e político-cultural eurocêntrico carregado de valores mesquinhos e nada fundamentados.

Temos que resgatar e trabalhar os princípios de alteridade e não a manutenção do pensamento da divisão de grupos como dizia o saudoso Milton Santos (que muitos afrodescendentes o criticavam por seu posicionamento político mediante essas questões), até porque quem prega a igualdade, não pode segregar!

Quero ler mais matérias a respeito dos Irmãos Rebolças, Garrett Morgan, Lima Barreto, Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho), José do Patrocínio, Cosme Bento das Chagas, Agnaldo Manoel dos Santos, José da Paixão Silva, Emanoel Araújo, João da Cruz e Souza, Carolina Maria de Jesus, Luiz Gama, Pixinguinha, Carlos Gomes, Tia Ciata, Juliano Moreira, Theodosina Rosário Ribeiro, Benedicto Fonseca Filho, Antonieta de Barros, Mercedes Baptista, Auta de Souza, Luislinda Valois Santos e tantos outros que merecem sair do ostracismo. (Viny Jacques)

sábado, 23 de abril de 2011

Constantes variações!

Minha vida é uma variação constante.

Quero boêmia, quero serenidade.

Ora quero abraçar o mundo, ora quero isolar-me dele.

Ora quero ser prolixo, ora lacônico.

Ora quero ser claro, ora quero ser irônico.

Ora reivindico um abraço, ora um sorriso,

Desde que seja verdadeiro, desde que seja entre amigos.

Quero falar de futebol, mulheres e política.

Quero ser louco, santo, poeta/cronista.

Quero verbalizar um "caralho" no meio de uma conversa,

Apenas para quebrar o gelo e fugir da dogmática linguagem hermética.

Quero viver o simples sem muitos rodeios,

Embora também não descarte lampejos de devaneios.

Na verdade, estou a cada dia mais apaixonado pelo verbo querer,

Talvez seja pelo fato dele estar intrinsecamente ligado ao prazer.

Afinal, a vida seria um tédio se não fosse composta por tantos quereres! (Viny Jacques)

sábado, 19 de março de 2011

Flertando com o meu eu-lírico!

Bem! Analisar as conjecturas sociais abraçadas pela grande maioria da população mundial, fragmentada por essa pluralidade de “verdades” que visam definir o que A, B ou C devem fazer, de fato age em mim como uma droga demasiadamente nociva, com a simples missão de matar-me aos poucos.

Seria tamanha a hipocrisia desenvolvida por mim, caso eu não admitisse que a ignorância a respeito de determinados assuntos que estão inseridos em nossa esfera social, pautada pelo que classifico como “maldita cegueira-obediente”, trata-se de uma “benção”, já que são tantos os confortos e benefícios adquiridos e usufruídos por nós, quando simplesmente resolvemos desviar o nosso olhar dos mais distintos alvos cotidianos.

Em meus tempos de guri (nada muito longe), quase tudo se configurava de maneira um tanto idealista, poética e romântica. Acreditava em heróis demasiadamente humanos que pudessem romper com a lógica global sustentada pela lei capital (que inocência de minha parte). Acreditava que as representações humanas pungentes desfaleceriam-se num passe de mágica, como outrora lia nas mirabolantes fábulas que conduz o povo em quase sua totalidade. Mas o mundo “real” felizmente (ou infelizmente, isso dependerá da ótica) nos convida a vermos as bases estruturais desse modelo organizacional sócio-político-econômico que nos acolhe, com certo pessimismo.

Enquanto isso, sigo trilhando o caminho para ser como dizia Nietzsche, um “homem que continuamente vê, vive, ouve, suspeita, espera e sonha coisas extraordinárias”, mesmo que isso não vá de encontro aos padrões morais vistos como inquestionáveis em nosso círculo social. Afinal, os princípios de alteridade devem ser colocados em primeiro plano. Sempre! (Viny Jacques)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A velha e o monstro!

Era uma noite de verão no agitado século XIX que trazia consigo o advento da modernidade. E sob os olhos atentos de uma idosa insana e demasiadamente humana gestora conhecida como “vida”, desenvolvia-se ali um "monstro" chamado "razão", com poderes desmedidos ultrapassando a linha tênue que classificam as experiências como bem e mal, o viável e o inviável, o "verdadeiro" e o "falso", o politicamente correto e o incorreto, o sorriso e a lágrima, a força e a fraqueza, a tolerância e a arbitrariedade.

Não temendo as reações do monstro mediante a sociedade que o acolheria, a velha agitada e insana divertia-se com as possibilidades de sua criatura ampliar seus poderes, independentemente das conseqüências que puderas vir devido a tudo que testemunharia ao seu redor através de suas andanças. (Viny Jacques)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Há quem diga ...

Há quem diga que devemos simplesmente nos lançar,

Há quem diga que devemos apenas contemplar as nuvens que passam de dia.

Há quem diga, há quem diga ...

Há quem diga que deveríamos apenas saudar o novo com certa voluptuosidade,

Deixando fluir uma pseudo-espontaneidade aliada à interpretação de falsas vontades.

Há quem diga, há quem diga ...

Há quem diga que o mundo sente a falta de Neruda,

E que a vida mesmo apresentando-se em muita das vezes de maneira absurda,

Trata-se de uma dádiva, oblação, presente e dom

Concedida a muitos, merecedores ou não.

Há quem diga, há quem diga ...

Há quem diga que não somos os senhores dos nossos destinos,

Que tudo já está pré-determinado,

Que devemos curvar a cabeça dizendo sim rumando a um sentido único,

Como se fôssemos seres robóticos, como se fôssemos réus confessos,

Como se nossas ações fossem desassociadas ao princípio de alteridade,

Como se tudo fizesse parte de uma única verdade.

Há quem diga, há quem diga ...

Há quem diga que o sorriso tem o poder de eclodir a sensação de bem estar até nos corações endurecidos,

Desconstruindo lembranças desagradáveis,

Possibilitando prazeres palpáveis e maquiando certas “verdades”.

Há quem diga, há quem diga ... (Viny Jacques)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Noite!

Linda, prazerosa, mágica, turbulenta, assustadora e ao mesmo tempo encantadora.

Socializamos momentos únicos, sorrimos, choramos, abraçamos e nos permitimos vivenciar o novo.

Estabelecemos interessantes contatos, damos adeus ao velho cansaço e partimos rumo ao acaso.

É nela que amores começam, ganham solidez, balançam, são colocados a prova e em muitas das vezes são ceifados.

Novas vidas chegam para conhecer esse mundo de vontades e representações, enquanto outras se despedem deixando saudades.

Seu poder de sedução nos convida incessantemente a nos rendermos ao ar de sua graça, ora pelo simples fato de termos acesso a ela, ora pela personificação da mesma através daquilo que desperta os sentimentos mais instintivos e demasiadamente humanos.

Hipnoticamente linda, ela parece entoar um mantra aos seus admiradores. A noite, a noite, a noite, a noite ... (Viny Jacques)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Ta rindo é ?

Sabendo-se que a idéia de que tudo evolui é demasiadamente interessante ao homem. Há 2.500 anos, na Grécia Antiga, Heráclito dizia que as risadas tinham o poder de neutralizar boa parte dos problemas da sociedade. Guerras e vícios poderiam cair no ostracismo através de boas gargalhadas, na tentativa de maquiar uma situação desconfortável pelo menos para o maior interessado. Mesmo após longos 2.500 anos convivemos com a mesma situação e quando infelizmente não sabemos o que dizer sobre determinado assunto, gargalhamos, fazemos piadas e de vez em sempre desenvolvemos o bom sarcasmo.

Embora seja um tanto difícil admitir, alguns homens não suportam a idéia de que o mundo funcione sem que o mesmo seja o centro das atenções. Afinal, alguns como uma espécie de mecanismo de proteção, acabam não sendo transparentes o suficiente para lidar com algo e mais uma vez as risadas são colocadas em prática, seja através da famosa expressão francesa tête-à-tête ou pelas vias de comunicações tecnológicas (bate papos on-line e sites de relacionamentos como orkut, facebook e afins).

Acreditar que o mundo possa girar sem sermos o centro das atenções pode causar um turbilhão de sensações incomodas, sendo assim, mesmo não sendo possível participar de uma conversa descolada sobre os mais distintos assuntos somando idéias, passa a ser ilusoriamente interessante optar pelo caminho avesso que é a desconstrução do exercício da boa dialética através das fórmulas risadas, piadas e comédias.

Outrora tive a oportunidade de ler uma frase que com certeza ajudaria bastante às pessoas. Alguém aqui já teve a humildade de falar a frase simples, mas no entanto tão pouco utilizada no mundo, a famosa “Eu não sei” ? Imaginem como boa parte das coisas que nos cercam seriam menos problemáticas caso utilizássemos com mais freqüência o “Eu não sei”. Eu não sei resolver isso, Eu não sei interpretar aquilo, Eu não sei jogar cartas, Eu não sei ser hábil como o gaúcho no futebol, Eu não sabia que gostava tanto ao ponto de ficar incomodado ... eu simplesmente “não sei”.

Como dizia Francis Bacon “conhecimento é poder” e tenho que concordar com isso. Vivemos buscando o poder, e o homem ignorante (aquele que desconhece algo, ou seja, todos nós) não tem o “poder” que o mesmo acredita ter e por sua vez nem sempre terá as rédeas de uma situação.

Pegando carona em uma letra do Frejat, é sempre interessante lembrar que “rir de tudo pode ser interpretado como desespero”. (Viny Jacques)